18 de novembro de 2020

 

Ninguém motiva ninguém, ninguém se motiva sozinho…’

Paulo Freire

Quando olho para trás, sinto saudades de ser criança, o Eu e o Outro.

Tudo era mais simples e com menos solicitações.

Lembro os bancos da escola, o porta-moedas de prata da Professora, o casaco de peles e o batom vermelho. Ficava fascinada e dizia: ‘um dia quero ser assim’...

Recordo, ainda, a sofreguidão com que desfolhava o dicionário de língua portuguesa e a alegria dos livros com cheiro a novo no início de cada ano letivo! Ok, também gostava da sandocha (milimetricamente perfeita) de queijo e marmelada da Avó Sílvia e do meu perfume em forma de ovo da ‘Avon’.

Eram as minhas referências. Mais tarde fui socorrida pelo ovo Kinder e Slavoj Žižek.

Os sonhos de criança são simples ou parecem ser, para quem cumpre o papel de outsider.

Hoje, é cada vez menos fácil crescer criança. Há atividades e mais atividades, há papéis e expectativas a mais e falta tempo para o essencial.

Por aqui, tenta-se cultivar o mote ‘tempo para ter tempo’ e despir algumas roupagens.

Há tempo para (quase) tudo…. Descansar, brincar, estudar, olhar para o teto, ver as estrelas, sorrir… No limite, aprender a aprender!

Obs: Fausto, há recados? E trabalhos de casa? A máscara já foi para o lixo? E álcool gel, ainda tens? E o teste de matemática? Ops… ‘Tempo para ter tempo’ e deixar o papel de mãe funcional…

16 de novembro de 2020

#Covid

Voltamos...

F. já tem 10 anos e tem sido um companheiro ímpar, de viagens, partilhas e confinamento.

Nada mudou e tudo mudou nesta última década, sobretudo a partir de 13 de março de 2020…

Muito ficou pelo caminho... A presença do outro, os afetos, a partilha...

O que também começou com ânimo, depois esmoreceu!

A par disso, a vida segue entre mais e menos.

(+)

Consigo levar F. todos os dias à escola e esperá-lo quando o avô o vai buscar...

Não gasto tempo a chegar a casa.

Poupo em máscaras, transportes, maquilhagem e solas de sapatos.

(-)

Sinto saudades de abraçar e beijar os meus Pais.

Sinto falta dos Amigos, de sair e falar; do café da manhã; dos almoços partilhados; dos vestidos e saltos altos, com perfume e make-up. Em casa até podemos ensaiar, mas nada é igual a nada…

Reconheço que fujo dos outros quando caminho e mais parece que, ando a roubar, quando faço compras.

Não gosto de usar máscara e o mote do ‘vamos ficar todos bem’ irrita-me solenemente pois não vamos nem estamos bem!

Mas isto são migalhas a par das vidas perdidas e do desgaste dos Profissionais de Saúde…

Este é o balanço! Entretanto, acho que me esqueci de fazer a pedicure...


4 de outubro de 2010

Revista de Poesia «Piolho» 2 | Edições Mortas & Black Sun Editores

Algures entre a pedra suja e o diamante de sangue pulula inequivocamente o segundo número da revista de poesia Piolho. Seguimos com a ode bicéfala aos anões e aos gigantones.

Fotografia de António S. Oliveira

18 de setembro de 2010

extracção nyaneka | voz das mães, Ruy Duarte de Carvalho

falaste?
turvaste a água!

é morte de homem?
a que cheira então?

isso que fede é o cheiro da injúria, da afronta
da escória da memória.

falaste, soltaste a língua
abriste a palavra aos outros:

vem-te à boca agora
o hálito alheio

e respiras o sabor
do que tinhas engolido.

vai à lenha e volta
a novidade espera.

onde ir à água que a não deixes turva
e aonde te vais mostrar
que não te exponhas ao mundo?

da rama estéril, quem fala?
a inveja visa é lá, é onde tem.

hálito alheio:
memória da escória.

15 de setembro de 2010

Com algum atraso fica o registo neste blogue do nascimento do Bebé Fausto da Silva Oliveira no dia 30 de Agosto. Agora a noção de tempo mudou radicalmente e espartilha-se pelas várias vertentes do admirável mundo da puericultura.

No plano da leitura o encontro com a narrativa de Sylvia Plath e as ilustrações de Rotraut Susanne Berner em O Fato do Tanto-Faz-Como-Fazia:

«O Max vivia com a Mãe e o Pai Nix e os seis irmãos numa pequena aldeia chamada Winkelburg, a meio de uma montanha íngreme. A montanha tinha três picos e em todos os três picos, tanto de inverno como de verão, havia uns chapéus de neve que pareciam mesmo três grandes cones de gelado de baunilha.
O Max gostava do sítio onde vivia.
O Max era feliz, à excepção de uma única coisa. Mais do que qualquer outra coisa no mundo, o Max Nix queria ter um fato só para si».

19 de agosto de 2010

Revista de Poesia «Piolho» 2 | Ed. Mortas

Avizinha-se o segundo passo da Revista Piolho, com as colaborações de Melusine de Matos, Renato Filipe Cardoso, manuel a. domingos, Fernando Esteves Pinto, Zaralleci, Rui Costa, Ivar Corceiro, Raul Simões Pinto, Gilberto de Lascariz, Sílvia C. Silva, Luís Serra, Miguel Sá Marques, Sérgio Almeida, Humberto Rocha,Théodore Fraenckel,...

16 de agosto de 2010

Véu Nascituro

Sob o mote da palavra,
um sopro de vida.

Do véu nascituro,
uma parte do ser.

Qual gata assanhada,
fôlego de flor ou cão cansado,
ronrono para te espreitar – F.!

‘Esperança’, essa coisa de penas feita | Emily Dickinson

‘Esperança’, essa coisa de penas feita – Que assenta na alma – E trauteia a melodia sem quaisquer palavras – E nunca pára, de forma al...