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25 de fevereiro de 2021

O Arado do Tempo | Lawrence Ferlinghetti

 A noite cerrou as minhas janelas e

O céu tornou-se numa casa de cristal

As janelas de cristal incandesceram

A lua

nelas espelhada

por toda a casa de cristal

Uma única estrela irradiava

o seu feixe de cristal

e desenhava um arado na terra

desenterrando corpos agarrados

casais abraçados

à volta da terra

Abraçavam-se por toda a parte

emitindo pequenos gemidos

que não alcançavam as estrelas

A terra de cristal moveu-se

e com ela os corpos

Mas o céu não se moveu

nem as estrelas

As estrelas permaneceram fixas

cada uma com o seu feixe de cristal

irradiando a terra

fundidas nesse arado imenso

sulcando as nossas vidas

4 de dezembro de 2020

Ruínas in Livro de Soror Saudade | Florbela Espanca

 


Se é sempre Outono o rir das Primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair...
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!
 
E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!
 
Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar!
 
Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!... Deixa-os tombar... Deixa-os tombar.

18 de setembro de 2010

extracção nyaneka | voz das mães, Ruy Duarte de Carvalho

falaste?
turvaste a água!

é morte de homem?
a que cheira então?

isso que fede é o cheiro da injúria, da afronta
da escória da memória.

falaste, soltaste a língua
abriste a palavra aos outros:

vem-te à boca agora
o hálito alheio

e respiras o sabor
do que tinhas engolido.

vai à lenha e volta
a novidade espera.

onde ir à água que a não deixes turva
e aonde te vais mostrar
que não te exponhas ao mundo?

da rama estéril, quem fala?
a inveja visa é lá, é onde tem.

hálito alheio:
memória da escória.

21 de julho de 2010

«A Origem do Mundo», Jorge Sousa Braga

Uma mulher deitada de costas
As pernas abertas a vulva exposta

Em primeiro plano entre as coxas
Roliças e as nádegas espalmadas

Os pêlos do púbis densos como escamas
Como linha do horizonte as suas mamas

25 de fevereiro de 2010

«A Senhora Lázaro», Sylvia Plath

Voltei a fazê-lo.
Uma vez em cada dez anos
Consigo-o –

uma espécie de milagre ambulante, a minha pele
Brilhante qual quebra-luz nazi,
o meu pé direito

um pisa-papéis,
o meu rosto, um fino e incolor
linho judeu.

Afasto o guardanapo
inimigo meu.
Meto medo?

O nariz,as cavidades dos olhos, os dentes todos?
O hálito acre
desaparecerá daqui a um dia.

Em breve, em breve, a carne
devorada pela caverna tumular sentir-se-á
em casa sem mim

E eu serei uma mulher sorridente.
Tenho trinta anos apenas.
E tal como o gato, tenho sete vidas.

Esta é a Número Três.
Que desperdício
alienar cada década.

Que milhão de filamentos.
A multidão mastigando amendoins
empurra-se para entrar e para os ver

desembrulhar o meu corpo, pés e mãos –
o grande strip tease.
Senhoras e senhores,


eis as minhas mãos,
os meus joelhos.
Posso ser só pele e osso,

apesar disso, sou a mesma, exactamente a mesma mulher.
Da primeira vez que aconteceu, tinha dez anos.
Foi um acidente.

Da segunda, quis
que fosse a sério e que esse caminho não tivesse retorno.
Fechei-me

como uma concha.
Tiveram que chamar por mim, chamar,
e arrancar os vermes de mim como se fossem pérolas pegajosas.

Morrer
é uma arte, como tudo o mais.
Faço-o excepcionalmente bem.

Faço-o com um gozo imenso.
Faço-o como se fosse real.
Talvez se possa considerar uma vocação.

É fácil fazê-lo numa cela.
É fácil fazê-lo e ficar no mesmo sítio.
É a faceta teatral

de um regresso à luz do dia
ao mesmo lugar, ao mesmo rosto, ao mesmo
grito divertido e estúpido:

«Um milagre!».
Isso dá cabo de mim.
Há um preço

para ver as minhas cicatrizes, há um preço
para ouvir o bater do meu coração –
ele persiste.

E há um preço, um preço muito elevado,
para uma palavra ou para um toque
ou para uma gota de sangue

ou para um pedaço do meu cabelo ou das minhas roupas.
Então, então, Herr Doktor.
Então, Herr Inimigo.

Sou a vossa obra,
sou o vosso valioso objecto,
o puro bebé de oiro

que se dissolve num grito.
Viro-me e ardo.
Não penseis que subestimo a vossa profunda atençaõ.

Cinza, cinza –
Agitais, inflamai.
Carne, osso, não há nada aí –

Um sabonete,
uma aliança de casamento,
a coroa de oiro de um dente.

Herr Deus, Herr Lúcifer
Acautelai-vos
Acautelai-vos.

Ergo-me das
cinzas com meus cabelos ruivos
e devoro homens tão facilmente como respiro.


23-29 de Outubro de 1962


Tradução de Mário Avelar in Sylvia Plath: O rosto oculto do poeta (1997)

20 de fevereiro de 2010

«Diário Bizantino», Cristina Campo

Dois mundos – e eu venho do outro.

Atrás e dentro
estradas ensopadas
atrás e dentro
névoa e laceração
para lá do caos e da razão
portas minúsculas e duras cortinas de couro,
mundo selado ao mundo, compenetrado no mundo,
inenarrável desconhecido ao mundo,
pelo sopro divino
um instante suscitado,
pelo sopro divino
logo cancelado,
espera o Lume escondido, o sepulto Sol,
a portentosa Flor.

Dois mundos – e eu venho do outro.

A fronteira, aqui, não é entre mundo e mundo
nem entre alma e corpo,
é corte vivo e eficaz
mais afiado que dupla lâmina
que se afunda
e separa
a alma veemente do espírito delicado
- até que bem despegado o caroço rode dentro da polpa –
as junturas dos ossos
os tendões da medula:
lâmina que discerne o coração
as tremendas intenções
as hesitações rapaces.

Dois mundos – e eu venho do outro.

12 de janeiro de 2010

«Não», Natércia Freire

Não formar nenhuma ideia
Do que somos ou seremos
Mas entre as vozes que fogem
Precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
Abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
Enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
Que penetraram no espaço
De eventos primaveris.
E dar a mão aos espectros
Beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
Correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
Abraçar quem nos ignora
Dormir com quem não nos vê
Mas precisar do calor
De quem nunca nos encontra.

6 de janeiro de 2010

«Vem, vento, varre», Adolfo Casais Monteiro

Vem, vento, varre
sonhos e mortos.
Vem, vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
nocturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só cobardia.

Que fique apenas
erecto e duro
o tronco estremece
de raiz funda.

Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.

Vem, vento, varre!

2 de dezembro de 2009

«7», Mário de Sá-Carneiro

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

17 de novembro de 2009

«Pobre poeta, andas à caça das palavras», Isabel Meyrelles

Pobre poeta, andas à caça das palavras
e são elas que te caçam a ti,
bem podes armar-lhes ciladas,
és sempre tu que cais na armadilha,
a tua caçadeira tem mau olhado,
a tua caçadeira atira para os cantos,
a tua caçadeira atira no verso branco,
a tua caçadeira atira nos acrósticos
e mata os caligramas,
guarda a tua armadilha,
a tua caça cospe-te no olho,
vai antes caçar furtivamente
nas propriedades do teu feliz vizinho,
o poeta que sabe caçar
o pássaro azul.

18 de agosto de 2009

«Exercício espiritual», Mário Cesariny

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

E é preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

6 de agosto de 2009

«Anjo», Pedro Parcerias

O meu anjo há muito que as asas perdeu
desde a areytos que implodiu
neste universo;
brincou nas praias, arrasando e
elevando aos céus castelos de areia
sob o olhar de Artemisa.

Criação e poder: os meus pais
exagerados membros. grandiosos enormes
cataclismas que tapam os poros
dos meus sentidos.
(«eu não sou vida - é sempre uma percepção-
memória deslizante que por mim fala»)
Navego em dialectos ininteligíveis.
Dou vida as máquinas fazedoras
de bonecas de pano.
Crio mundos com a mesma facilidade
com que os destruo. o negro é o branco de sonhos e
pesadelos.
Possuo demais.
(«eu jogo interior - pura memória, puro pensamento»)

in «O Anjo e o Viador de Bordel»

31 de julho de 2009

«If you call poetry...», Jaroslav Seifert

If you call poetry a song
- and people often do -
then I've sung all my life.
And I marched with those who had nothing,
who lived from hand to mouth.
I was one of them.

I sang of their sufferings,
their faith, their hopes,
and I lived with them through whatever
they had to live through. Through their anguish,
weakness and fear and courage
and poverty's grief.
And their blood, whenever it flowed,
spattered me.

Always it flowed in plenty,
in this land of sweet rivers, grass and butterflies
and passionate women.
Of women, too, I sang.
Blinded by love
I staggered through my life,

tripping over dropped blossoms
or a cathedral step.

10 de julho de 2009

«Prece da Aurora»

Acorda. A Aurora incendiou a Noite,
da qual apenas resta um pouco de cinza azul.
A areia está fresca, como um tapete de jasmim.
O ar é mais límpido que uma gota de água de neve.

Acolá, é uma gazela que salta
ou uma flor grande que procura
aproximar-se do sol?
Ele vai trespassar com as suas flechas
o cálice da fonte
e o coração do amante infortunado.

Estou de pé na luz.
Desafio o sol a ofuscar-me,
já que não baixo os olhos
quando tu me olhas.

Acorda. Este perfume, que o vento balança,
não é o das laranjeiras, mas o hálito
do adolescente radioso
que agita o seu escudo no céu.

Vem. As auroras que temos para ver
estão contadas já
e a noite do túmulo é eterna.

Quero contemplar-te, estremecente e nua,
nesta luz em que o teu corpo,
estriado de pequenas veias azuladas,
brilhará como um sabre damasquinado.

Respirarei, sobre o teu colo, o odor do orvalho
que o humedecia nas nossas lutas amorosas,
e este aroma perfumará de tal modo a brisa
que os pastores perguntarão a si próprios
se ela não atravessou os Jardins do Paraíso.


in «O Jardim das Carícias», Anónimo Árabe (Séc. X)

18 de maio de 2009

«Levavas nos pés trinta e sete flores», Pedro Águas

Levavas nos pés trinta e sete flores
e espezinhavas a areia com os pés em sangue
andava eu deitando fogo pela boca
e pulavas de alegria e dor agarrada ao meu pescoço
sem o meu pescoço lá
porque eu andava deitando fogo pela boca.
Desenterraste-me então o corpo antigo
e cobriste de flores e beijos todas as partes putrefactas.
Andava eu deitando fogo pela boca.
Arrancavas lentamente dos tornozelos
as flores de que me enchias a boca.
Ao pescoço deixavas as mãos ao peito os beijos
sem o meu peito sem o meu pescoço sem a minha boca
porque eu andava
deitando fogo pela boca.

15 de maio de 2009

A improbabilidade poética da comunicação (II)

Ruy Belo - Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te

Herberto Helder - Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.

Al Berto - ouve-me
que o dia te seja limpo
e que a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte.

Ruy Belo - Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?

Herberto Helder - Só eu sei que a loucura minou este ser
inexplicável
que me estende nas coisas
a loucura entrou em cada osso
e os campos são o meu espelho.
Esta imagem perfeita arromba os espelhos.
Os nomes são loucos,
são verdadeiros.

Al Berto - apesar de tudo
continuamos a repetir os gestos e a beber
a serenidade da seiva - vamos pela febre
dos cedros acima - até que tocamos o místico
arbusto estelar
e
o mistério da luz fustiga-nos os olhos
numa euforia torrencial

Ruy Belo - Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido

12 de maio de 2009

A improbabilidade poética da comunicação

Ruy Belo - Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te


Herberto Helder - Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram.

Al Berto - homens cegos procuram a visão
do amor onde os dias ergueram esta
parede intransponível caminham vergados no zumbido dos ventos com
os braços

Ruy Belo - Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou

Herberto Helder - Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.

Al Berto - No regresso encontei aqueles
que haviam estendido o sedento corpo
sobre infindáveis areias
tinham os gestos lentos das feras amansadas
e o mar iluminava-lhes as máscaras
esculpidas pelo dedo errante da noite

9 de maio de 2009

«As Mãos», Sebastião Alba

Componho com as linhas dos meus dedos outros puros
cujas pontas façam girar nenhum raio sucessivo
de sol Dedos sem o cadastro de enlaces doendo
e se declamo ficções que eles escorem
Sem par noutras mãos Nem fundos na algibeira
mexidamente obscenos e a salvo da garra dos gatilhos
Dedos com um horizonte de pálpebra baixando
que assim não acordem as formas tacteadas
donde um sono mane estrie os espaços vedados
Dedos de que mesmo a chuva escorra sem uma lágrima
Ou os que já compus e assinam adiam o poema.

26 de fevereiro de 2009

«Tene me», Hélia Correia

O seu amor rodeia-me a garganta.
Foi bem cedo selado, este metal,
e o meu pescoço não robusteceu.
Nem quase canto.
Dizem que são belas as vozes das cativas.
Porém não estas,
as que enrouqueceram
sob o estrangulamento do amor.











Campos e noites. Voaria, aquela
a quem o gancho do mar tolheu
o movimento das omoplatas.
Ensaia apenas uma elevação,
como os cães nos quintais,
pedindo a lua.
Correria, se houvesse no amor
a mínima distancia consentida,
um certo alívio.
Mas somente o ferro
e o seu conhecimento delineiam
os muros da paisagem.
Quem caminha
depõe um rasto
como se cortassem,
para que sangrem,
seus pés.
Curta é a terra
para os assinalados do amor,
os que trazem gravado este comando
para que os levem de volta.

Alguém ganhou
numa zona de caça
a sua presa
por mera distracção.
Com um olhar,
o sinal para que soldem as cadeias,
aquele em cujo nome
o amor prendeu
é livre de jogar
a sua parte.



in Apodera-te de mim

19 de fevereiro de 2009

«Vigílias», Al Berto

1.

quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrerem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz


quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta o coração
esse
solitário caçador



2.

de labirinto em labirinto
construí o tempo de imperceptíveis gestos
no ouro da memória tecia o minotauro
tatuado a néon sobre o ombro
depois
por entre fumo de haxixe cresceram as cabeças
das leoas de Delos hirtas
nenhum sofrimento nos atingia
quando apertei a mão de meu amigo
e o levei pelo sono do mar
onde se levanta um corpo
capaz de paralisar de alegria o coração
parámos de nos contar histórias antigas
mas a sedução do minotauro permanecia
e falámos tanto que me esqueci de te dizer
uma ave sangra sob os passos
onde a cinza rubra de fogueira extinta
reacende um desejo que nos murmura

quando morrerdes o amor dispersar-se-á
e flor nenhuma como Narciso Adónis ou Jacinto
te recordará

fomos em silêncio pelas ruínas da ilha
não encontrámos água
bebemos os poemas e a paixão
bebemos sôfregos o vento ardente
até perdermos o sentido das palavras
e cada vez mais sós debruçados para a noite
dos oráculos insones entre crepúsculo e alba
nenhuma saída se vislumbrava


in Uma Existência de Papel

‘Esperança’, essa coisa de penas feita | Emily Dickinson

‘Esperança’, essa coisa de penas feita – Que assenta na alma – E trauteia a melodia sem quaisquer palavras – E nunca pára, de forma al...