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24 de novembro de 2020

Inquietudes covidárias II

- Quando recorrentemente acordas às 05h da matina e vês filmes ou séries forenses; se bem que o 'Assalto à Casa Branca' instigou-me a pegar em NERF's;

- Quando voltas ao ‘local do crime’, vulgo revisitas a estação de metro de outrora;

- Quando ponderas perseguir pessoas com o devido distanciamento e apenas dizer: 'olá, está tudo bem?'; ‘precisa de ajuda para ajustar a máscara?’;

- Quando o pico do teu dia é colocar umas sapatilhas e reciclar lixo;

- Quando acabas a jornada laboral e sais para comprar um rissol ou croquete, na loucura um pastel de carne;

- Quando o que te diverte é observar os outros a comprar 'raspadinhas'. 

Mas o ónus da questão é este: com o fim da pandemia, quantas pessoas poderei agarrar, abraçar e beijar? É que por mim vai (quase) tudo a eito!

E cientistas de todo o mundo, uni-vos, por favor! Para além desta famigerada vacina, há alguma réstia de esperança de, sei lá, entre duas a três inoculações, domarmos a estupidez humana?!?

19 de novembro de 2020

Inquietudes covidárias

Ora bem, a malta tem mais tempo para pensar e questionar, o que nem sempre é bom sinal.
Em tempos de Covid, dou por mim a refletir nos seguintes issues:

- Quando viro as costas, estou a ser mal-educada ou a honrar as regras de distanciamento e etiqueta respiratória?
- Posso trabalhar de pantufas?
- Onde param as Testemunhas de Jeová?
- Qual o ponto de situação dos trabalhadores de sexo? O sexo é com máscara?
- No caso da inspeção de veículos, deve o ‘inspetor’ entrar no carro alheio?
- Porque é que os presidiários não usam máscara?
- Há regras nos assaltos? A forma mais segura ainda deve ser por esticão e a seguir higienizar o que foi roubado…
- Porque é que o Partido Comunista insiste em realizar o congresso?
- Porque é que os jogadores de futebol continuam a conspurcar (vulgo escarrar ou ‘escupir’) o relvado?
- Devo já comprar uma arca para armazenar as minhas vacinas anti-covid?
- Que é feito do Sócrates e da Cinha Jardim?
- O João Baião não envelhece?
- Um ciclista numa passadeira conta como peão?
- A terra ainda é redonda?

Sobre este natal também tenho algumas questões:
- Quando devo fazer a árvore de natal?
- O pai natal vai descer pela chaminé?
- Porque é que o jogo do Joker está esgotado?

Ainda assim, o verdadeiro mistério reside em perceber, como um certo dia, às dez e meia da matina tinha enfardado três bolinhos de bacalhau, mas como também já tenho mais dias de ‘prisão domiciliária’ do que o Ricardo Salgado, ‘it is normal’!


18 de novembro de 2020

 

‘Ninguém motiva ninguém, ninguém se motiva sozinho…’

Paulo Freire

Quando olho para trás, sinto saudades de ser criança, o Eu e o Outro.

Tudo era mais simples e com menos solicitações.

Lembro os bancos da escola, o porta-moedas de prata da Professora, o casaco de peles e o batom vermelho. Ficava fascinada e dizia: ‘um dia quero ser assim’...

Recordo, ainda, a sofreguidão com que desfolhava o dicionário de língua portuguesa e a alegria dos livros com cheiro a novo no início de cada ano letivo! Ok, também gostava da sandocha (milimetricamente perfeita) de queijo e marmelada da Avó Sílvia e do meu perfume em forma de ovo da ‘Avon’.

Eram as minhas referências. Mais tarde fui socorrida pelo ovo Kinder e Slavoj Žižek.

Os sonhos de criança são simples ou parecem ser, para quem cumpre o papel de outsider.

Hoje, é cada vez menos fácil crescer criança. Há atividades e mais atividades, há papéis e expectativas a mais e falta tempo para o essencial.

Por aqui, tenta-se cultivar o mote ‘tempo para ter tempo’ e despir algumas roupagens.

Há tempo para (quase) tudo…. Descansar, brincar, estudar, olhar para o teto, ver as estrelas, sorrir… No limite, aprender a aprender!

Obs: Fausto, há recados? E trabalhos de casa? A máscara já foi para o lixo? E álcool gel, ainda tens? E o teste de matemática? Ops… ‘Tempo para ter tempo’ e deixar o papel de mãe funcional…

21 de junho de 2010

Os (in)equívocos noticiosos

«Global», ou talvez não, o jornal ainda pontua como veículo de divulgação informativa para apropriação crítica do leitor. Contudo, há notícias de difícil digestão!

Cumpra-se a máxima de ‘vida polémica, morte polémica’ no referente a José Saramago. Independentemente das afinidades e eleições reconheça-se, pelo menos, a perda incontornável do ser humano e do escritor. E no pós-luto emergem notícias que se destacam pelo tom jocoso e expiatório (é esta a minha apropriação), como referir «Pilar del Rio despediu-se do marido sem lágrimas».

Completamente despropositado, indago até que ponto uma perda é quantificada em lágrimas (e não vem ao caso o papel das carpideiras por ofício sob risco de desidratação). As dúvidas persistem na mise-en-scène das cerimónias fúnebres: Quantos litros de lágrimas devemos produzir e expelir? E em que momentos da cerimónia? A apresentação deve ser estudada ou um desalinho completo para evidenciar a dor?

19 de maio de 2010

Simplesmente Mamãs

2010 é um ano que, definitivamente, captou a minha atenção para os assuntos relacionados com a parentalidade. Assim, às 24 semanas e 4 dias de gestação é «normal» reforçar as minhas leituras, enquanto aguardo nos bancos do hospital, sobre a dita temática.

Obviamente que toda a gravidez é pública na sentido da exposição e da visibilidade. Seriam necessários um hiperespartilho ou a clausura num ermo para que o mais mortal dos distraídos não conseguisse vislumbrar o estado de graça! Contudo, há diferenças quando a futura mamã usufrui do estatuto de figura pública. E as últimas são: o recente nascimento da filha de Cláudia Vieira e já à saída do hospital o processo de recuperação encetado; temos também o segundo round de Bárbara Guimarães, a caminho do quinto mês e com direito a vestidinhos estilizados para os Globos de Ouro (nós por cá adoptámos a política de austeridade no que respeita o vestuário pré-mamã e, ao invés das viagens de avião, reforçámos a pedonalidade); por fim, Rita Mendes num acto hercúleo pós-ruptura afectiva e a sua «despreocupação» relativamente ao aumento de peso.

Seguimos com mais de meio quilograma de filho garantido, muito apetite e calor imenso =)

24 de fevereiro de 2010

É com um certo saudosismo que recordo as cantigas de escárnio e maldizer. Alguns poderiam retorquir «lá vem o bacalhau seco mas balofo, retorcido e amargo relembrar antigos dissabores». Mas não! Apenas me limito a constatar os factos e, como tal, a mais não sou nem serei obrigada.

Na senda das premissas sociológicas da incursão empírica, tendo como guru Machado Pais, optei por nomes fictícios a fim de salvaguardar o anonimato público das personagens [espero que a Academia me permita o uso da primeira pessoa do singular em detrimento da inconsequente «nós»]. De salientar, também, que segui regras estritas e restritas de transcrição do discurso deste informante privilegiado. Nem sempre é fácil escolher o cromo [vulgo interlocutor] a ilustrar nesta rubrica. Depois de alguns milésimos de segundos de reflexão, tal escolha afigurou-se-me evidente:


Olá, olá a todos [pausa para beijar duas crianças e acenar a duas velhinhas] … não sei se estão recordados de mim e das minhas trocas e baldrocas políticas. É que no X não me safava e talvez no Y consiga angariar mais fãs, se bem que a monarquia pareça mais promissora, quem sabe... Também não é fácil entre directos na TV e viagens à minha terra, conciliar com o gancho/tacho/biscate académico mas tento.

Quando preparo as aulas não sei muito bem por onde começar. Leio as obras? Decoro os sumários? Hum, remeto para os meus livros publicados por uma editora de renome? Bom, a bem dizer eu não tive muito tempo para me debruçar sobre estas questões mas reuni algumas notas que tomei a liberdade de preparar em minha casa com um mês de antecedência e que decorei após 48 horas de quarentena no meu gabinete [obviamente com pausas justificadas para beber 5 sumos, comer 10 pastéis com creme e tomar 7 cafés com adoçante]. Que acham, cito um poeta, Bourdieu ou retomo o jargão sociológico que a bem dizer tudo diz e nada contém em si mesmo?

Um dia de cada vez e não renuncies, renunciar é fácil, talvez em nome do Y, logo se vê...

12 de novembro de 2009

Ao revisitar o livro de Luc Ferry e Jean-Didier Vincent sobre «O que é o Homem?», numa tentativa de concertação dos fundamentos bio-filosóficos, prontamente divago para as previsões de Saramago ou para a «pincelada de zarcão» de mais a menos infinito de Gedeão.

A propósito do homem e das vivências em sociedade, fico com os pêlos, os que remanescem por erradicar, solenemente eriçados quando se menciona essa figura obscura e híbrida, de seu nome «cientista social».

Nos corredores da faculdade reproduzem-se quadros teórico-conceptuais e metodológicos e evoca-se, por vezes, a máxima de Kurt Lewin de que não existe nada mais prático do que uma boa teoria. Somos apresentados aos formalismos e às regras que balizam todas as nossas ideias expressas, por conselho, na terceira pessoa do plural, pois não nos compete formular ou esboçar o que quer que seja no «Eu». Neste quadro são escassíssimos os professores que se perspectivam como meros facilitadores do processo de aprendizagem e que fomentam uma leitura crítica dos factos sociais.

Por isso, quando descortino alguns comentários alusivos aos arautos da cultura ou aos guardiães do conhecimento, trata-se de um vício de formação. As aporias perduram: há quem fique preso a quadros teóricos para escamotear a sua ignorância e há quem os recuse paradoxalmente para invocar a sua ignorância fruto de (des)amarras formais e arreigar-se ao auto-didactismo.

Mantém-se o repto de Einstein de que mais importante do que o conhecimento é a imaginação…

22 de outubro de 2009

Tempo para morrer como...

O filme «Morrer como um homem» de João Pedro Rodrigues encerra em si mesmo uma reflexão crítica sobre um conjunto de questões que transcendem a condição masculina/feminina do ser humano ou a querela entre identidade sexual/identidade de género.

Uma amálgama cruzada de papéis e valores, a estória de um travesti profundamente religioso e que, tendo vivido como uma mulher, a Tónia, tenciona morrer como um homem, o António Cipião. Curiosamente estas vivências radicam em esqueletos e fantasmas, comummente vivenciados por homens e mulheres ainda que em registos diferentes: o medo de envelhecer e de perder a juventude, e com esta a beleza; o receio da solidão; o egocentrismo; a busca do glamour e do fascínio; a preocupação com o desempenho do papel maternal/paternal, ainda que neste caso estejamos perante uma mãe biologicamente amputada e um pai socialmente ausente.

Musicalmente as escolhas foram muito felizes. Dois dos momentos mais poéticos são acompanhados pela sonoridade de António Variações, nomeadamente «Erva daninha a alastrar» e «Sempre ausente». Duas metáforas para viagens interiores e partilhadas, a que se acresce «Calvary» de Baby Dee.

O filme é rodado ao sabor de uma permanente caça aos gambuzinos, com alguns laivos de Almodóvar. Por fim, o abismo de um corpo já despojado de quaisquer adereços (lentes, perucas, lantejoulas, …), e que anseia pelo repouso na duplicidade de ter a seu lado o companheiro.

25 de setembro de 2009

Tele-estupidez e ruralidade mental

«… é com certo espanto que no espelho da manhã / distraído diviso a cara que me resta»


Um momento, não se trata do poema «Muriel» de Ruy Belo, por nós já aqui guisado, mas sim do espanto com que, hoje de manhã, me deparei ao ler o Jornal de Notícias, designadamente o espaço referente aos Média: «’Telerural’ alvo de queixas».

Fico estupefacta quando as principais queixas recaem no facto da linguagem empregue ser conotada de «boçal» e «ofensiva». Pasmo tanto maior pois foi com o dinheiro dos contribuintes que o comediante ou seja lá o que for, de seu nome Fernando Rocha, fez currículo no canal 2 da RTP ao roçar o limiar da higiene e sanidade do legado de Camões com a linguagem mais grosseira, grotesca, rude, estúpida, idiota e ignorante a que tive a perda de tempo a assistir.

Não deixa de ser curioso também que, para validar, triangular e corroborar opiniões e argumentos, esta sociedade eleja a expertise como mote. Desta feita, cabe ao expert ou especialista em Televisão, de seu nome Rui Cádima, aferir que «o 'Telerural' não é um programa de serviço público, pois roça o mau gosto e é um bocado boçal».

De facto, sempre foi complicado fazer programas de humor em Portugal, ou porque não há talento, ou porque se fragilizam lobbies e instituições seculares ou porque se recorre à brejeirice…

Da minha parte, força rapazes, Quim Roscas e Zé Estacionâncio, e viva Curral de Moinas!

30 de julho de 2009

Em Praga sê... (II)

Dia II
Um dia incrivelmente quente e de mudança do dormitório para um single. De novo, no centro da cidade e à descoberta dos principais referentes culturais. Podem optar por um percurso turístico de autocarro. Não é caro e temos à disposição um áudio-guia cuja versão portuguesa oscila entre o castelhano e o português brasileiro. No interregno da visita ao
Castelo de Praga ousei pedir para ir a uma casa-de-banho mas, como seria custeada, optei por usar os serviços e pedir uma cerveja. De regresso para um almoço tardio num café-bar irlandês. Investida cultural à Casa de Kafka, à livraria e à exposição de Dalí. No regresso, e graças ao meu infalível sentido de orientação, perdi-me e com um temporal à vista… grr… Lá dei com o hostel e partilhei o jantar com dois amigos belgas que já estavam de partida para mais uma aventura.

Dia III
Planificação de novo périplo cultural, abdicando de visitar o Museu da Literatura graças ao meu «apurado» sentido de orientação. Optei pela visita ao Museu Nacional, onde se encontram disponíveis bilhetes para concertos de jazz, música clássica, ópera…. Almoço no simpático Café Boulevard para depois rumar a ourivesarias, lojas de artesanato, galerias, um museu comercial e, obviamente, o Museu do Comunismo, lugar de culto mesmo ao lado do McDonald’s! A História pode, por vezes, ter um desfecho ou enquadramento irónicos!

De acrescer, o encontro feliz com a poesia de Jaroslav Seifert:
«To be a poet is no easy task.

He spots a warbler in the woods
flying above its nest
and he can’t stop himself from thinking
- O wicked ecstasy! -
of the warm tousled dimple
in his girl's armpit».


Dia IV
What’s new? Mais galerias, exposições, livrarias e, mais tarde, o Opera Show no Museu Nacional. Por fim, a investida ao Café Boulevard para uma pasta vegetariana acompanhada de um bom vinho! A esta altura, já estava enjoada de cerveja…





Be right back Praha!
( )s

Em Praga sê...

Para quem me conhece sabe que eu adoro viajar, sobretudo périplos de cariz cultural, com particular apetência pelos países de Leste. Encetei este percurso de relativismo sociocultural e existencial aos 16 anos quando, um ano após a queda do Muro de Berlim, tive o privilégio de conhecer Bona, Berlim e Munique com uma bolsa do Göethe Institut. Em 2001, ao abrigo de um projecto de investigação, rumei a Bucareste e Covasna. Lembro-me dos militares, do clima de instabilidade, da pobreza e das crianças sujas que vendiam mirtilos, não obstante a calorosa recepção com que toda a equipa foi brindada!

Após algumas incursões por Espanha, em particular Barcelona, permiti-me viajar este mês até Praga numa investida assumidamente cultural! Esta aventura começou, desde logo, na véspera da viagem, dia 21, ao (tentar) fazer a mala. É um dos momentos que menos aprecio uma vez que tenho sérias dificuldades em seleccionar quando tudo se me afigura relevante. Ao mesmo tempo, é incrível a sensação de despojamento e de liberdade quando condensamos numa mochila ou mala os artefactos a utilizar na viagem.















Dia I
Passadas duas a três horas de sono, arranquei para o aeroporto do Porto com voo agendado para as 06h00m. Passagem breve por Lisboa para rumar, em definitivo, a Praga. Após quatro horas, a minha necessidade primária consiste em acender um cigarro! Mesmo quando uma funcionária do aeroporto de Praga me pergunta se necessito de um táxi, só consigo esboçar um sorriso e dizer: «Sorry, I’m nervous and what I really need is to smoke». Findo o repasto tabágico, aproximo-me e reitero: «Ok, now I need a taxi». Este é o melhor procedimento, assim como repararem na placa do táxi, negociarem previamente a tarifa (neste caso, podia pagar em coroas checas, euros, dólares, ….) e no final peçam o recibo. Após 20-30m, estava no Hostel Elf. Na medida em que viajei sozinha, não queria estar confinada ao reduto de um quarto de hotel e aqui, para além de economizar, pude conhecer e interagir com jovens de diversos poisos do globo. Na primeira noite, dormi num dormitório com dois rapazes (canadiano e americano) e duas chicas. A meio da tarde, ainda tentei fazer o mapeamento do local do hostel, entrei numa biblioteca e a funcionária, sempre sorridente, ficou intrigada e sublinhou que o espaço se destinava a cidadãos checos. Acedeu à minha visita mas o meu checo é um pouco rudimentar, para não dizer nulo… Ao passar pela loja de conveniência non-stop, mesmo em frente ao hostel, entrei para comprar três singelas maçãs que custavam 26 coroas checas mas que em euros, segundo a conversão da funcionária, perfaziam 22 euros… Jantar calmo em Seifertova (o empregado era ligeiramente mais airoso do que o Salvatori de «O nome da rosa») e de novo no hostel, para uma noite tranquila. Definitivamente, tem mais pinta reler a biografia da Simone de Beauvoir num dormitório em Praga ou melhor num beliche! Quem diria, aos 33 anos concretizar uma das minhas fantasias de criança! Ao conhecer os dois machos do dormitório, fui convidada para uma ida ao centro da cidade, assistir ao espectáculo (invisível) do relógio astronómico e festejar! Não me fiz rogada e, sem entrar na lógica da quantificação, creio que superei o meu recorde pessoal de ingestão de cervejas, checas, irlandesas, whatever…


(continua)

2 de julho de 2009

A musa dos recibos verdes

Vieste insegura mas a anos-luz da formosura!
Balofa corrias e só mais um pedias!

Pensei:
- Será um cigarro enrolado ou um profiterole congelado?

Fui ver e era mais um recibo verde a preencher!

30 de abril de 2009

Assim a gente não se entende!!!

Definitivamente, assim a gente não vai lá, com ou sem crise, com ou sem precariedade laboral, sem questionar o novo acordo ortográfico.

Assiste-se a uma espécie de «Triunfo dos Porcos» mas também no reino vegetal nem tudo vai bem. Neste caso, não é tanto a carestia da vida mas o preciosismo da crojete.

Na véspera do 1º de Maio, a malta constata que este anúncio pode mesmo ser perigoso pois este senhor afirma 'fasso tudos', claro está no ramo da pecheleria, electrita e massamentos de paredes [alguém sabe em que consiste esta nobre actividade?].

Mais adiante, e porque não sou sexista, uma senhora, obviamente com pouco taim, investe na limpesa ou pasa a ferro.


Convenhamos, não sei se esta senhora terá mais taim para extras mas que esta casa de banho de um hipermercado bem precisava de uma mãozinha, lá isso precisava!


12 de abril de 2009

Labirintos de Serralves

Hoje, ao tentar atenuar a ingestão extremada de glicose, tomei uma decisão: vou deixar de ir a Serralves aos domingos de manhã! Não tenho nada contra a patuleia e as massas mas a populaça toda acorre a Serralves e nem dá para o engate, sequer para atentar demoradamente nas instalações e nas obras que por lá pululam.

Depois, há outra questão: apesar de as saídas de emergência estarem devidamente assinaladas, não foi ponderado na estrutura do edifício um outro tipo de saída, do género quando já estamos a avistar alguém que simplesmente não queremos cumprimentar e não há saída possível dado o estado labírintico da coisa. Atirar-me para o chão e fingir um ataque de epilepsia não é razoável, muito menos partir um vidro e saltar para o frondoso jardim, sequer a pretensão liliputiana de ter mirrado!

10 de abril de 2009

Hoje, não há real

Hoje, não há real.
Há a palavra,
há tão-somente o chão das palavras.

Onde terei começado a esquecer-me?
Quando me esquecerei de te esquecer?

1 de abril de 2009

Os Teletubbies do Tube!!!

Recentemente, escrevi que há dias felizes... Hoje, porém, afigura-se-me que há dias estranhos! Mesmo na véspera do dia das brincadeiras, de bom e mau gosto, consulta-se o e-mail e eis que, para espanto, há uma repreensão por escrito e com a validade de seis meses para um dos vídeos realizados por Pulga Estúdios - «Censura, O Eterno Feminino», que tem como imagem de fundo o quadro de Gustave Courbet.

Gostaria de deixar as minhas palavras de apreço à comunidade de policiamento do YouTube. O meu reconhecimento ancora-se numa pletora de adjectivos mas confesso que a leitura da «História do Feio» está ainda nos primórdios.

Como tal, reproduz-se de seguida o e-mail recepcionado (advertimos os ciberleitores mais sensíveis que se encontra em Inglês), a contra-resposta endereçada (juridicamente traduzida) e a vídeo-reacção de Pulga Estúdios Team.


YouTube Video Notification

The following video(s) from your account have been disabled for violating the YouTube Community Guidelines:
Censura, O Eterno Feminino - (pulgaestudios)
Your account has received one Community Guidelines warning sanction, which will expire in six months. Additional violations may result in the temporary disabling of your ability to post content to YouTube and/or the termination of your account.
For your reference, a copy of this message has also been emailed to the address associated with this account.

Sincerely,
The YouTube Team


Reacção de Pulga Estúdios Team

Exmos. Senhores,

Vimos por este meio acusar a recepção da mensagem relativa à censura e rejeição (conteúdo impróprio) do vídeo «Censura, O Eterno Feminino» da Pulga Estúdios.
Antes de mais, gostaríamos de enquadrar a realização do vídeo no contexto português. Recentemente, uma feira do livro que teve lugar em Braga foi alvo de polémica e de denúncia do livro «Pornocracia» de Catherine Breillat por ostentar na capa o quadro de Gustave Courbet «A Origem do Mundo». Perante a denúncia, a polícia interferiu e apreendeu os exemplares à venda que, mais tarde, acabaram por ser restituídos.
Deste episódio da realidade portuguesa, surgiu a ideia de realizar um pequeno vídeo alusivo ao ocorrido, tendo como fundo a imagem do quadro supra referido («A Origem do Mundo» de G. Courbet) e que, segundo nos consta, continua exposto no Museu d’Orsay.
Perante isto, e tendo conhecimento dos termos de uso do YouTube, não encontramos motivos para que o nosso vídeo tenha sido rejeitado, na medida em que não veicula qualquer conteúdo pornográfico ou sexualmente explicito, sequer viola os direitos de autor no referente à obra de G. Courbet.

Atentamente,
Pulga Estúdios Team




«Também Tu(be)?»

25 de março de 2009

Titubeando...

Na era da Web 2.0 e das inúmeras ferramentas e aplicações que, de alguma forma, visam confluir para uma Web semântica, apraz-me citar Tim Berners-Lee: «We are forming cells within a global brain, and we are excited that we might start to think collectively. What becomes of us still hangs crucially on how we think individually».

Como podem aferir através deste blogue, eu costumo titubear - vulgo usar o Twitter. E, ainda ontem, a propósito da entrevista a Paulo Querido, que (per)sigo via Twitter, fui questionada sobre as mais-valias desta ferramenta de comunicação designada como uma espécie de micro-blogue e que cultiva a nossa capacidade de síntese dada a limitação do conteúdo das mensagens publicadas pelo número de caracteres.

Desde 2007, momento em que comecei a usar esta ferramenta, deparei-me, desde logo, com algumas adversidades. Para além da delimitação das mensagens, nunca fui apologista dos termos empregues pois a designação de following e de followers sempre me deu a sensação de predador e de presa, acicatando o voyeurismo e a passividade que a Internet alimenta. No meu caso, em particular, também me deparo com algumas discrepâncias linguísticas, na medida em que os meus updates tanto figuram em Português como em Inglês. Depois, esta sensação de pertença e de inclusão em rede suscitam-me cada vez mais dúvidas. De facto, se eu quiser posso seguir o Barack Obama, o Narciso Miranda, o David Lynch e o David Fonseca. Mas em que é que isso contribui para a minha felicidade? E quem será que faz os updates destes senhores?

Por isso, quando me questionam sobre as finalidades do Twitter, julgo ser importante, antes de mais, atentar na rede por nós montada e no teor da informação partilhada. No meu caso, tenho acesso a eventos académicos e culturais, por vezes até a pormenores desses eventos que gostaria de presenciar mas dadas as contingências espaciais (nunca esquecer que a informação veiculada já está a ser filtrada por outrem e mediada pelo computador). Subjectivismos aparte, partilho causas, leituras, documentos, músicas, entre outros. Mas logo surgem as questões: para quê ou porquê partilhar? Também essa é uma questão pertinente para as relações e as redes de interacção presenciais. Cada um, nesta rede simbólica de trocas, online e/ou face-a-face, partilha o que quer em função das suas comunidades de interesses e de afinidades. Claro está que devemos manter o distanciamento crítico e, por vezes, dou por mim a pensar que qualquer dia passamos mais tempo a partilhar e a escrever o que estamos ou tencionamos fazer do que propriamente a fazer. Enquanto isso, vou titubeando em rede mas sem chegar a pormenores intimistas das minhas idas à casa de banho ou do que penso comer ao pequeno-almoço.

Gostaria ainda de ressalvar, nesta existência blended, a pluralidade das ferramentas e aplicações da Web 2.0 relacionadas com o Twitter. No index consultado, encontrei 72 resultados que podem visualizar aqui.

Como já dizia J. Orton, as pessoas são infinitamente cómicas e como tal, fica esta animação versando o nosso querido Twitter:


«Twouble with Twitters»

Fonte: www.youtube.com


Nota: À guisa de partilhas, revelo em primeira mão, ainda antes de titubear, que hoje, findos os deveres laborais, irei assistir à última película de Clint Eastwood, «Gran Torino», numa sala de cinema perto de mim!

20 de março de 2009

«Eu sugero...»

Não há melhor do que assistir ao noticiário e constatar que, em resposta à crise e à insuficiência das medidas preconizadas pelo PM, o Dr. Mário Soares contrapõe alternativas que pontuam como «eu sugero...». Em vésperas do Dia Mundial da Poesia, não há como agarrar e divulgar estas pérolas verbais. Por isso, eu sugero que fruam dos dias primaveris e das diversas iniciativas que radicam nas estrofes, sonetos, redondilhas, etc. Bom fim-de-semana e «cuidado com a língua»!

8 de março de 2009

O Adeus...

Adeus vaca/chaço de carne
Adeus Ovo Kinder Surpresa
Adeus vinho alentejano

No more pão-de-ló
No more whisky de 12 anos
No more Serra da Freita

[volta que estás perdoado!]

Adeus torradas e chá verde
Adeus minis e pistáchio
Adeus bolo de brigadeiro

No more meias artesanais
No more queijo dos Açores
No more docinho de amendoins

[volta que estás enrabado!!]

Adeus broa e padas de Cambra
Adeus panela rasa de sopa
Adeus "Parlamento"

No more tostas mistas
No more I.T.G.
No more "micro-ondas"

[não voltes pois estás gamibetado!!!]

‘Esperança’, essa coisa de penas feita | Emily Dickinson

‘Esperança’, essa coisa de penas feita – Que assenta na alma – E trauteia a melodia sem quaisquer palavras – E nunca pára, de forma al...