18 de setembro de 2010

extracção nyaneka | voz das mães, Ruy Duarte de Carvalho

falaste?
turvaste a água!

é morte de homem?
a que cheira então?

isso que fede é o cheiro da injúria, da afronta
da escória da memória.

falaste, soltaste a língua
abriste a palavra aos outros:

vem-te à boca agora
o hálito alheio

e respiras o sabor
do que tinhas engolido.

vai à lenha e volta
a novidade espera.

onde ir à água que a não deixes turva
e aonde te vais mostrar
que não te exponhas ao mundo?

da rama estéril, quem fala?
a inveja visa é lá, é onde tem.

hálito alheio:
memória da escória.