Ainda hesitaste quando te convidei para tomar um café pois tu preferias jantar arroz de pato. Mas tentei ludibriar-te e disse que levaria comigo a banda sonora da «Laranja Mecânica» e que iria vestida de preto e vermelho. Sorriste, pelo menos utilizaste um smiley com um esgar inquisitivo. Eu mal podia esperar pela grande abertura de William Tell de Rossini mas tu tinhas outros planos e eu tinha que ir para casa tratar dos meus animais. É que, e não leves isto a peito, rodeada de animais já estou eu e já não tenho paciência para doninhas fedorentas intrometidas e ressabiadas, prefiro conviver com a manha dos meus gatos e a obesidade do meu cão. E assim, foste embora e eu suspirei de alívio pelo serão não se ter prolongado para além do limiar da razoabilidade. Nunca mais procurei o que é virtual, nunca mais consegui aceder ao Hi5 com receio de te sentir o rasto. Ainda pensei apresentar-te a uma amiga minha mas ela gosta de animais assertivos, com auto-estima e menos deturpados por danos colaterais pelas vivências da realidade. Mas não fiques triste, mais cedo ou mais tarde encontrarás um novo dono, alguém que te ature, faça festinhas na cabeça e consiga conviver com as tuas paranóias. E a vida segue, real ou virtual, sem querelas terminológicas meu caro pois os academismos sobejam de fugacidade.
Amálgama de palavras, sons e imagens em busca de dias sempre leves ou escreve um poema e bebe um copo que isso passa
‘Esperança’, essa coisa de penas feita | Emily Dickinson
‘Esperança’, essa coisa de penas feita – Que assenta na alma – E trauteia a melodia sem quaisquer palavras – E nunca pára, de forma al...
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